A Internet realmente modifica a vida da gente, de uma hora para outra. Nunca pensei em ser um machista e eis que me vejo consagrado como tal.
Fui a São Paulo assistir o Fantasma da Ópera, em final de temporada, e de quebra ganhei dois ingressos para assistir “Aluga-se um Namorado”.Fim de semana perfeito, se não estivéssemos em plena Era do “apagão aéreo”.
Segunda-feira cedinho vou para Congonhas e descubro porque dizem que é duro ser de primeira, num país de terceira. Vôos atrasados, cancelados, gente reclamando, em suma, todos os ingredientes para um dia horrível. Ligo para o trabalho e aviso que não vou chegar antes do almoço. Bagagem extraviada, juntamente com a chave do carro, estacionado no aeroporto, e quase nem chego para o jantar.
Ligo o computador para tentar colocar a vida em ordem, e vejo ter recebido, de um amigo distante, um e-mail, com o singelo título “Era uma vez...” . Uma piadinha infame sobre a necessidade feminina de casar e as possibilidades de envelhecer, que tanto assustam ao sexo frágil.(Nossa ! Que coisa machista.). Ou seria sobre os prazeres de um homem solteiro e como sofre sua ex-quase-futura-esposa? Sei lá ! O fato é que meio anestesiado, repassei o e-mail para a Turma da Sauna. Sim, como todo machista que se preza, eu tenho uma Turma da Sauna. Reparem que os gays também têm. Enderecei para a lista de endereços, cliquei o botão ENVIAR e não acreditei no que vi.
Na minha Caixa de Entrada apareceu um e-mail com o título “[oficinacronicas] En: Era uma vez...”. Não fazia sentido.Não foi para os machistas da Turma da Sauna que eu havia enviado?
Só aí, realmente prestei atenção à última frase da piada: “A moça teve celulite, varizes, os peitos caíram e ficou sozinha”.
Meus Deus! Que frase é essa?Quatro estocadas das mais violentas não alma feminina. Nem vou citar quais são as outras possíveis,para não piorar minha situação.
Fato é, o pior ainda estava para acontecer. Em alguns instantes descobri haver enviado aquela coisa horrível, não para um grupo, mas sim para vários grupos dos quais faço parte e um bom número de amigas, ex-namoradas e etc.Por favor, não vejam nesse “etc” nenhum traço de machismo, é apenas economia de palavras.
Enquanto preparava um pedido de desculpas à Turma das Crônicas, começaram a chover e-mails com comentários. Impressionante como esse pessoal fica na Internet direto, até tarde.
Uns elogiavam. Verdade seja dita, só homens. Já as mulheres pareceram sentir mais o golpe e só começaram a reagir no dia seguinte.
Minha filha me poupou, enviando um simples “ridículo”. Minha mulher não se pronunciou, talvez ainda anestesiada pelo fim de semana cultural na Paulicéia.
Mas o resto !
Uma ex-namorada escreveu indignada, dizendo que eu é que não quis casar com ela.
Uma colega de trabalho, talvez se julgando paquerada, perguntou se era uma praga que eu estava rogando.
Um numeroso grupo, declarou haver sempre me visto como um cara simpático, sensível, agradável e uma série de outros elogios, sempre com o verbo colocado no passado,para a seguir declararem uma mudança radical de opinião a meu respeito. Não acredito que eu tivesse tanto IBOPE assim, me pareceu mais uma estratégia feminina de vingança.
Houve as que disseram sempre terem sabido que eu não passava de um machista enrustido. Houve uma que afirmou ser culpa de minha mãe a quem, tenho certeza, ela nem conhece.
Até um ex-professor resolveu tirar uma casquinha do meu couro, fazendo uma espécie de piada réplica.
Com tanta confusão,larguei a carta para a companhia aérea para lá, e fui me dedicar a escrever pedidos de desculpas.Coisa bem machista mesmo, dirão algumas.
sábado, 14 de abril de 2007
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