sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Crônica de uma Eleição

Original de 16/11/2007

Não sou vascaíno. Nunca fui e imagino que nunca serei. Afinal, estou velho demais para mudar de time.Vale até um trocadilho: Não é agora que vou virar a casaca.

Se não sou vascaíno e não pretendo vir a sê-lo, por que diabos ando tão interessado em acompanhar o noticiário sobre as eleições do Vasco? Na verdade, eu mesmo venho me fazendo essa pergunta.

Ter amigos envolvidos não seria argumento, pois os tenho na Oposição e na Situação.

A resposta fácil, previsível, seria o interesse em ver ser feita justiça. No meu caso sou obrigado a confessar um prazer satânico em ver, não as escaramuças de ambos os lados, os argumentos “jurídicos”, que são apresentados a cada falcatrua denunciada.

O pessoal da Oposição consegue infiltrar um repórter na cabine de eleição.Repórter esse que, fingindo estar disposto a votar na Situação, recebe apoio desta, apesar de não estar associado regulararmente, não estar sequer listado para votar, ainda assim vota.

Para qualquer mortal, o simples fato de alguém que não poderia votar ter votado já seria suficiente para por em suspeita todo o processo eleitoral. Não importando se foi ajudado pela Situação ou Oposição.O processo é falho.

É claro, é evidente, é de se esperar que a Situação, responsável pelo pleito, questione o fato, argumente tratar-se de um caso isolado e os tantos argumentos clássicos normalmente utilizados pelos flagrados com a boca na botija.

Parafraseando Rui Barbosa, os apetites humanos são muito mais criativos do que poderíamos imaginar.

Argumenta a Situação no mais puro estilo “Perdoa-me por me traíres” de Nelson Rodrigues, que tanto “o jornal quanto o jornalista deverão responder pelo ato”. Imagino se referirem ao ato de alguém ter votado irregularmente. Parece até ter fazer algum sentido: Se alguém fez algo irregular, deve responder por isso.E aí a questão é quem responde?Quem tentou provar a fraude, que efetivamente houve, ou quem a cometeu.É mais ou menos como condenar por adultério a esposa que fotografa o marido com outra.

Diz ainda a Situação que o fato não prova fraude alguma, “Se houve falha, foi de ambos os lados”.Estamos a um passo de multar a Receita Federal, a cada autuação feita por ela.

Pior de tudo, e eis aí outro argumento delicioso de se analisar, é se o fato do repórter ter votado não prova fraude alguma, a que ato iriam o jornal e o jornalista responder? Realmente essa turma é boa, é mesma da fuzarca.

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